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Empresas chegam a dobrar o lucro em ano de retração Valor Online
Graziella Valenti, Fernando Torres e Vera Saavedra Durão, de São Paulo e do Rio 10/03/2010 No ano passado, a despeito das adversidades, a dívida líquida consolidada das empresas se manteve estável, em R$ 137,6 bilhões Um olhar rápido sobre os números consolidados de 88 balanços de companhias abertas já divulgados mostra que a crise foi cruel com os setores de aço e minérios em 2009. O negócio das siderúrgicas e mineradoras brasileiras perdeu no ano passado o equivalente à receita líquida de todo o setor de alimentos com capital aberto, perto de R$ 50 bilhões, segundo levantamento do Valor Data. Excluídas as empresas desses dois setores, fica a impressão de que os efeitos da crise foram brandos - a marolinha prevista pelo presidente Lula. O faturamento líquido consolidado das demais companhias aumentou 11,6%, para R$ 341,4 bilhões, e o lucro líquido quase dobrou, chegando a R$ 34,5 bilhões. No total, o conjunto das 88 companhias teve queda de 2,3% no faturamento e de 7,2% no lucro líquido. Nos segmentos ligados ao consumo interno, o movimento foi bem diferente. Boa parte das empresas registrou expansão de dois dígitos. As companhias de alimentos aumentaram as vendas em 20%. As de varejo, em geral, em 24%, e as de material de construção, em 52%. As varejistas do setor têxtil tiveram um excelente ano. A Hering expandiu sua receita líquida em 40%, para R$ 720,9 milhões. A Marisa, apesar de ter pisado no freio para as expansões, apresentou crescimento de 7,4% na receita líquida, para R$ 1,5 bilhão. As vendas do período de Natal tiveram evolução de 13,3%. "Isso foi a classe C, nosso foco", disse Márcio Goldfarb, diretor-presidente da companhia. O desempenho consolidado das empresas abertas também confirma a expectativa dos especialistas de que os administradores buscariam ganhar eficiência interna durante a crise, para ampliar a lucratividade. Apesar de a margem bruta, que só considera os custos de produção, mostrar uma redução de 5,1 pontos percentuais, de 36,7% para 31,6%, a margem operacional (após as despesas administrativas e gerais) mostra aumento de 14,5% para 15,9%, na comparação entre 2009 e 2008. No ano passado, a despeito das adversidades, a dívida líquida consolidada das empresas se manteve estável, em R$ 137,6 bilhões. |
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